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Ocorreu na última
terça-feira(13), às 14h e às 19h, na área interna do Campus XXII, da
Universidade do Estado da Bahia/UNEB, de Euclides da Cunha, a 2ª edição do
projeto "Prosa e verso nas veredas do sertão". O evento foi organizado pelo
poeta e professor Adriano Eysen, da UNEB, e contou com a participação
especial do fotógrafo e pesquisador Antenor Júnior, que tem desenvolvido
vários trabalhos relacionados aos movimentos conselheiristas na região de
Canudos. Com a área completamente lotada, nos dois turnos, o convidado
palestrou sobre a epopéia de Canudos com o título "Um olhar sobre Canudos:
os sertões". Depois lançou a Cartilha de Canudos, projeto de sua autoria,
que contou com o apoio do Fundo de Cultura da Secretaria de Cultura do
Estado da Bahia. Em seguida, inaugurou uma exposição de fotografias com
imagens de Canudos que jamais serão produzidas por qualquer profissional,
pois atualmente o local encontra-se submerso nas águas do açude Cocorobó.
A abertura do evento contou com as presenças da professora Ivete Teixeira,
diretora do Campus XXII, do professor Nelson Nascimento, diretor substituto,
do assessor-chefe da Assessoria Técnica/Astec da Uneb, professor Luiz Paulo
Neiva, que esteve presente ao evento a convite de Antenor Júnior, de
docentes e discentes, convidados especiais e artistas da terra, a exemplo da
professora Elza Canário, do cantor e compositor Chico d'Oliveira, dos Grupos
Chorões do Cumbe e Realce, do poeta euclidense, Inamar Coelho e tantos
outros.
Durante a abertura o professor Adriano Eysen informou aos presentes que, "o
projeto se somará à tentativa de ampliar as relações entre a universidade e
a sociedade de nossa região, uma vez que, uma das principais metas é
oferecer condições para que todos possam participar do evento. Os
participantes terão oportunidades de compartilhar experiências com os
escritores, pesquisadores, fotógrafos, especialistas de história, isso dará
um maior incentivo a pesquisa e a produção acadêmica", afirmou Eysen.
O professor Luiz Paulo Neiva, um dos responsáveis da construção do Parque
Estadual de Canudos, quando gerenciou o Centro de Estudos Euclydes da Cunha/CEEC
da UNEB, disse que conheceu Antenor Júnior no centenário da fundação de Belo
Monte(Canudos), em 1993. Naquela oportunidade, o pesquisador passou a ter
participação da UNEB em seus projetos culturais. "Sempre teve o cuidado de
preservação da memória desse episódio", completou Neiva. Em seguida o poeta
Inamar Coelho, aluno do 8º semestre da universidade declamou o poema "A
Guerra de Canudos", de sua autoria. Depois foi a vez do cantor e compositor
Chico d'Oliveira que apresentou músicas cujas letras expressaram sentimentos
de amor à pátria, protesto e mobilização social, que marcaram épocas
diferentes da história contemporânea do povo brasileiro, interpretadas por
Geraldo Vandré e Zezé di Camargo e Luciano.
Já na palestra, Antenor Júnior apresentou um roteiro de Antônio Vicente
Mendes Maciel, o conhecido Antônio Conselheiro, desde Quixeramobim-CE, sua
terra natal, até a chegada ao Belo Monte(Canudos), passando pelos estados
nordestinos, ingressando na Bahia, na região de Itapicuru de Cima, em 1876,
onde continuou com suas pregações religiosas, edificando igrejas, muros de
cemitérios e pequenas aguadas. Com o auxílio de retroprojetor, o
palestrante mostrou para a platéia, os caminhos das quatro expedições
militares enviadas contra Belo Monte, as estratégias planejadas pelos conselheiristas e o avanço dos militares contra a cidadela sertaneja. O
objetivo principal de aniquilar Antônio Conselheiro e seus seguidores, que
pacificamente, pretendiam viver no sertão baiano, sem, contudo, implantar
uma comunidade ideologicamente comunista marxista, no sertão baiano, não
vigorou e Belo Monte foi totalmente destruída e incendiada no dia cinco de
outubro de 1897.
A palestra também foi recheada de novos conhecimentos, fatos, personagens e
controvérsias oriundas de pesquisas e trabalhos desenvolvidos pelo
pesquisador, e pouco conhecidos da comunidade fora do movimento de Canudos,
e que agora, pode enriquecer conhecimentos, através principalmente da
leitura da Cartilha de Canudos, que pode ser adotada pelos municípios da
região, inseridos no contexto histórico da guerra.
Depois de quase duas horas, a solenidade chegou ao seu final. Todos os
presentes compraram a Cartilha de Canudos que foi autografada pelo autor e
que possui ilustrações da artista plástico Trípoli Gaudenzi. Já os
estudantes, além da cartilha, foram contemplados pelo projeto com um
certificado. Em seguida houve a inauguração de uma exposição de fotografias
que retratam a Belo Monte e a velha Canudos, cujas ruínas submersas pela
águas do açude de Cocorobó, puderam ser vistas novamente, no período de 1996
a 1999, oportunidade em que o baixo nível do espelho d'água, chegaram a
menos de 10% de sua capacidade. Na época aconteceu uma grande estiagem que
havia se abatido sobre a região. Em 2002, o açude encheu e as ruínas voltaram
a ser encobertas pelas águas de Cocorobó, encobrindo mais uma vez a vergonha
brasileira.
O encerramento do evento aconteceu com a realização de uma confraternização
entre os presentes onde foi oferecido pelo palestrante um coquetel.
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