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Sábado, 30 de Dezembro de 2011
Isto é rodoviária?

Por: José Dílson - euclidesdacunha.com

Críticas, sugestões e opiniões

 

Foi lastimável, o que a reportagem do site euclidesdacunha.com registrou na véspera de feriado do Natal, quando, em busca de informações sobre os horários de partida e de chegada dos ônibus que servem Euclides da Cunha para Salvador e para outras cidades da região.

Do terminal rodoviário parte, diariamente, ônibus para Salvador, Feira de Santana, São Paulo, Juazeiro, Uauá, Rodelas, Abaré, Canudos, Jeremoabo, Senhor do Bonfim, e isso dá uma movimentação muito boa durante o dia e vai até as 23h30, quando sai o último ônibus do dia para Salvador.

Com localização privilegiada, à beira da Rodovia Santos Dumont (BR 116/Norte), a cerca de 5 minutos da Praça Duque de Caxias, centro da cidade, próximo do Centro Administrativo e ao lado do Fórum Des. Aloísio Baptista, a estação rodoviária, construída no governo de João Durval Carneiro, na década de 1980/1990, está obsoleta.

O terminal de transportes da cidade parece nunca ter sido visitado pelas autoridades administrativas do Estado e do Município, pois, ao contrário de outros terminais construídos na mesma época, nunca passou por uma reforma ou inspeção em sua estrutura metálica e em suas dependências físicas.

Alertado por um dos usuários que frequenta diariamente o local, algumas vigas de ferro necessitam urgentemente de reparo, pois estão com a base corroída pela ferrugem, além da cobertura lateral que serve de ponto de embarque e desembarque de passageiros que usam taxi, apresentar problema na chapa metálica.

Guichês acanhados e sem refrigeração para os funcionários que atendem às Empresas Gontijo/São Geraldo e Falcão Real (São Luiz) não causam boa impressão para o tamanho e a importância para o setor de transporte rodoviário de passageiros que as referidas empresas representam.

Os bancos de granito, em número de dois, com capacidade de acomodar apenas, três pessoas, não muito gordas, que ainda são do tempo em que foi inaugurado o terminal, são um verdadeiro castigo para o bumbum e as costas do passageiro que se arrisca sentar-se nesses trambolhos de cimento e pó de pedra.

As lanchonetes ainda são daquelas em que o cliente, aliás, ‘freguês’ seria o termo mais correto para classificar o cliente ou usuário, já que a coisa é tão antiga quanto a nomeclatura de classificação da pessoa que utiliza os serviços de fast food. Elas precisam melhorar o seu visual e à forma de atendimento, tornado o serviço mais rápido, prático, confortável e higiênico.

Cestas para colocação de lixo dificilmente são vistas e se existem estão colocadas em pontos onde não são visualizadas facilmente. Flagramos o lixo sendo depositado em caixa de papelão bem ao lado de uma das principais entradas do terminal.

Na área de embarque, bem que poderia ser de outra maneira: com bancos confortáveis para os passageiros, bem assim na parte interna, em frente aos guichês. Isso sem contar que o espaço é dividido com bêbados que às vezes perturbam os passageiros, motoristas e cobradores ao querer embarcar no ônibus, sem condições para tal.

É muito comum, bêbados, mendigos, perturbados mentais usarem o espaço como dormitório. Nos dias de chuva, retirar a bagagem do ônibus é correr o risco de se molhar, pois a cobertura é curta e protege, apenas, os passageiros que desembarcam.

Ao redor do terminal, o mato toma conta de toda a área, e isso contribuiu para a proliferação de insetos (barata, rato, mosquito, muriçoca) e só não está mais alto, por causa de alguns animais (cavalos, gado, ovelhas,) que costumam pastar tranquilamente o verdejante e milagroso capim, situação “bucólica” não recomendada para uma cidade do porte de Euclides da Cunha, principalmente para quem chega à cidade pela primeira vez. Não é um bom cartão de visita.

A fragilidade do pavimento a paralelepípedo torna o entorno do TR bastante irregular e se transforma em verdadeiras piscinas nos dias de chuva.

Gasta-se muito com os reparos que são feitos, porém, não é dado o tempo necessário de maturação do cimento aplicado e os locais são abertos ao tráfego que, não demora muito a apresentar os mesmos problemas e a buraqueira volta ser como era antes.

Mas, o que nos deixou indignado, foi o que presenciamos na área dos banheiros: sem fechadura nas portas, vaso sanitário sem tampa, falta de papel higiênico, mal cheiro, ausência de descarga, baratas, enfim tudo que contraria princípios básicos de higiene e saúde.

Será que a Secretaria Municipal da Saúde faz inspeções regularmente no terminal rodoviário? Se o faz, não parece ou os agentes não estão cuidando bem da saúde pública.

Ainda sobre os banheiros, flagramos homens e mulheres usando o mesmo lugar para satisfazer suas necessidades fisiológicas, já que o sanitário destinado aos homens não se encontra em condições de uso e está interditado.

Para quem está acostumado a usar banheiros limpos, ao se deparar com a imundície ali apresentada deve sofrer uma “trancada” daquelas e sempre que lembrar deve lhe faltar vontade de satisfazer-se fisiologicamente, mesmo em melhores condições: trauma.

Uma senhora que frequentemente usa o terminal para viajar para Salvador, revelou para este repórter que, para fazer xixi é preciso segurar a porta ou pedir a uma amiga ou passageira para ficar de plantão no local, e impedir a entrada de alguém, principalmente do sexo masculino. “O banheiro agora é unisex e sem fechadura”, disse em tom de revolta pelo descaso do órgão controlador, funcionários ou autoridades responsáveis.

Outro usuário do terminal fez uma queixa muito preocupante: usuários de drogas, maus elementos, ladrões e malandros costumam freqüentar o local à noite e isso coloca em risco a integridade física e moral dos passageiros que chegam mais cedo para o embarque ou desembarque, principalmente.

Às vezes, esses elementos avessos aos bons costumes perturbam a noite toda e até amanhecem o dia no local.

“Brigas são constantes e isso nos preocupa muito. A polícia precisa passar por aqui mais vezes e afastar esses elementos que tiram a nossa tranqüilidade, já que somos pai de família e é daqui que tiramos o nosso sustento com o nosso trabalho”, disse uma pessoa que pediu para não ser identificada, já que faz do TR o seu local de trabalho e teme represália.

Com a palavra a Agerba, Prefeitura Municipal, Secretaria Municipal da Saúde, e a quem mais interessar possa, para adoção de medidas cabíveis. O Terminal Rodoviário de Euclides da Cunha precisa de melhores cuidados e mais atenção, pois isso não é uma rodoviária.

 


 

 

 
 
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