Uma injeção desenvolvida por pesquisadores brasileiros passou a ocupar o centro do debate científico e também das redes sociais após relatos de recuperação de movimentos em pessoas com lesão medular. A substância, chamada polilaminina, tem sido apontada como uma possível esperança para pacientes diagnosticados com tetraplegia ou paraplegia. Ainda assim, apesar da repercussão e da expectativa criada, o tratamento permanece restrito e inacessível para a maioria da população.
A polilaminina é uma versão modificada da laminina, proteína naturalmente presente no organismo e essencial para a estrutura dos tecidos e para o funcionamento das células nervosas. A proposta científica por trás da pesquisa é que, ao ser aplicada na região lesionada da medula, a substância estimule a regeneração de conexões nervosas interrompidas pelo trauma. Em modelos experimentais, os pesquisadores observaram indícios de reorganização neural e recuperação parcial de funções motoras.
Os relatos que ganharam visibilidade envolvem pacientes que, após o procedimento, passaram a apresentar movimentos antes considerados improváveis, como contrações voluntárias e progressos na reabilitação. Esses casos ampliaram o interesse público e reacenderam o debate sobre tratamentos regenerativos no Brasil. No entanto, especialistas destacam que resultados individuais não substituem a necessidade de validação científica ampla e controlada.
O principal motivo para a polilaminina ainda não estar disponível a todos é regulatório e científico. A substância encontra-se em fase inicial de estudos clínicos autorizados, etapa voltada principalmente à avaliação de segurança. Antes de qualquer liberação comercial ou incorporação ao sistema público de saúde, é necessário cumprir todas as fases de pesquisa exigidas pelas autoridades sanitárias, com acompanhamento de longo prazo e análise de eficácia em grupos maiores de pacientes.
Além disso, o tratamento ainda não integra o rol de procedimentos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde nem é coberto por planos privados. O acesso ocorre apenas dentro de protocolos de pesquisa ou mediante decisões judiciais específicas, o que limita significativamente sua abrangência.
A expectativa em torno da polilaminina é grande, sobretudo diante da escassez de alternativas eficazes para lesões medulares graves. Ainda assim, pesquisadores e médicos reforçam que prudência é fundamental. A ciência exige tempo, dados consistentes e validação rigorosa. Somente após esse percurso será possível afirmar se a substância poderá se tornar um tratamento amplamente disponível — e, de fato, transformar a realidade de milhares de pacientes no país.
Por: Redação / Euclidesdacunha.com
Fonte: Correios 24 horas




