Associações de imprensa manifestaram preocupação após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou busca e apreensão na casa do jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, em São Luís, no Maranhão. A investigação é sigilosa e foi executada pela Polícia Federal após publicações do jornalista sobre um veículo usado pelo ministro Flávio Dino.
Segundo a Polícia Federal, desde novembro de 2025 o jornalista vinha divulgando fotos, placas e informações sobre o carro funcional utilizado pelo ministro. As publicações também apontavam que o veículo, oficialmente pertencente ao Tribunal de Justiça do Maranhão, estaria sendo utilizado por familiares de Flávio Dino.
Na decisão que autorizou a operação, Moraes afirmou que o autor das publicações teria utilizado algum mecanismo estatal para identificar e caracterizar o veículo. Para o ministro, a divulgação desses dados poderia representar uma exposição indevida relacionada à segurança de autoridades públicas.
Inicialmente, o caso havia sido distribuído ao ministro Cristiano Zanin, mas no início de 2026 foi redistribuído para Moraes pela presidência do Supremo. O entendimento foi de que o caso teria conexão com o chamado Inquérito das Fake News, investigação aberta em 2019 por iniciativa do então presidente do STF, Dias Toffoli, para apurar ataques contra a Corte e seus ministros.
A decisão provocou reação de entidades como a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, a Associação Nacional de Editores de Revistas e a Associação Nacional de Jornais. Em nota conjunta, as organizações afirmaram que qualquer medida que possa violar o sigilo da fonte representa ameaça ao livre exercício do jornalismo e pediram revisão da decisão.
Especialistas também se manifestaram sobre o caso. O jurista Gustavo Binenbojm afirmou que a medida pode criar um precedente preocupante para a liberdade de imprensa, especialmente se houver risco de violação do sigilo da fonte. Já o gabinete de Flávio Dino afirmou que a investigação busca apurar um possível monitoramento ilegal dos deslocamentos e da segurança do ministro em São Luís.
Fonte: G1
Por: Euclidesdacunha.com / Redação




